Resumo
O rompimento da barragem do Fundão, em Mariana (MG), em 2015, liberou grandes volumes de rejeitos de mineração na bacia do Rio Doce, resultando em impactos ambientais relevantes. Entre os diferentes efeitos, a genotoxicidade emerge como importante indicador de risco ecológico e à saúde humana. Esta revisão objetivou sistematizar os estudos que avaliaram a genotoxicidade no Rio Doce após o desastre, sintetizar os efeitos detectados e apontar direções para futuras investigações. Foram consultadas as bases Lilacs, PubMed, SciELO, ScienceDirect e Google Acadêmico, com os descritores “Genotoxicidade” e “Rio Doce” (ou “Genotoxicity” and “Doce River”); “Mutagênese” e “Rio Doce” (ou “Mutagenesis” and “Doce River”); “Mutagenicidade” e “Rio Doce” (ou “Mutagenicity” and “Doce River”). Sete artigos atenderam aos critérios de inclusão. Os resultados mostram evidências de dano genético em diversos pontos da bacia, especialmente nas áreas próximas ao rompimento — como Bento Rodrigues, Rio Gualaxo do Norte e Governador Valadares — onde foram observadas quebras de DNA, formação de micronúcleos e alterações nucleares em peixes e células expostas. Regiões mais distantes, como Regência e Colatina, apresentaram efeitos menos intensos ou com perfis distintos. Também se evidenciou persistência de efeitos genotóxicos ao longo do tempo. Apesar dos avanços metodológicos, o número reduzido de estudos limita conclusões mais abrangentes. Recomenda-se ampliar investigações, inclusive com o ensaio de Ames, e fortalecer o monitoramento contínuo em locais estratégicos, como Governador Valadares, para avaliar a evolução de impactos genéticos de longo prazo.

